Ontem o primeiro título de Maria Esther Bueno completou 50 anos.
Podemos dizer que Maria Esther Bueno está para o Wimbledon como Guga está para Roland Garros. Quando meus pais queriam me incentivar a jogar tênis, era ela que eles citavam. A histórica tenista brasileira que se tornou popular no mundo inteiro. Pena que demorou tanto tempo para um tenista brasileiro voltar ao topo. E parece que durou tão pouco!
Será que ainda vamos ter outra Esther Bueno ou mais um Gustavo Kuerten?
Na última semana deixei o contrabaixo um pouco de lado e resolvi arriscar uns arranhões no violão. Relembrei o quanto é difícil ficar mudando de acordes rapidamente. Saber qual corda apertar com qual dedo não é o mais difícil. Além de poder pesquisar pelas notas de cada acorde em sites de cifras, começo a ver algum sentido na "montagem" dos acordes.
O complicado mesmo é ter agilidade nos dedos. Trocar de um formato pra outro, deixando as voicings é outro desafio. O qual não pretendo tentar vencer agora. Ainda tenho muito (mas muito, mesmo) o que aprender no baixo para tentar me aventurar em outro instrumento por enquanto. Deixa o violão pegar mais um pouco de poeira!
Tic. Tac. Tic. Tac. No meio da noite, quando não havia mais o barulho de carros passando na rua, a TV estava desligada e a chuva havia parado, tudo o que eu ele podia ouvir era o som do relógio. O tempo se arrastava pesadamente. Tic. Cada segundo passava lentamente. Tac. Com a mente ainda um pouco dormente, perdido em um sonho esquecido, ausente, tentava pensar com clareza. Era madrugada. Tinha muita noite ainda pela frente. Ele, entretanto, sabia que o barulho do caminhar das engrenagens não o deixaria dormir tão facilmente.
Tic. Tac. Ecoava em sua cabeça a força do tempo passando. O relógio estava ali há quase um ano. Presente de aniversário. Esteve sempre tiquetaqueando por todo esse tempo. Seus movimentos, porém, sempre abafados pela agitação das manhãs ou a correria dos finais de tarde, não era notado. Tic. Algo o perturbava naquela noite. Por que foi acordado no meio da madrugada por um barulho que sempre existiu? Tac. Pensou em jogar o relógio pela janela. Tic. Não o fez. Covardia ou preguiça? Tac. Talvez os dois. Pensou em tirar a pilha. Tic. Sabia que não iria adiantar. O tempo continuaria ecoando em sua cabeça. Tac.
Fechou os olhos. O barulho continuou. Por fim, ele dormiu. Mas não mais sonhou.
À meia noite a carruagem vira abóbora e os cavalos viram ratos.
Uma garrafa de cachaça se quebra na rua, e alguns trôpegos caminham para a feira de bois. Desafortunados vigiam veículos. Eu desisto da minha costumeira independência, e parto para o caminho do diabo velho. Cruzo com as araras vermelhas e navego pelo rio não navegável. Chego em casa no horário.
A lua, porém, ainda sorri. E eu procuro a dona de um sapato de vidro.
Esse bimestre maio-junho saiu uma crônica minha no Conexão MP, o jornal mural do Ministério Público. É meio estranho ver a própria foto em cavaletes próximos às portas do elevador e ser cumprimentado por pessoas com quem ainda não havia conversado. Mas é uma sensação boa.
A curtição dos amigos quanto à "suspeita" pose na foto já era esperada e não causa maiores problemas. =)
Um texto rápido e curto, como merece toda madrugada. Pra dizer a verdade, não gostei dele. Mas é o melhor que tenho para postar agora. Pra dizer a verdade verdadeira, até tenho outros prontos há mais tempo e escrito com mais calma. Mas, sendo sincero, quero postar esse mesmo, ainda que sem nenhum significado ou sentido real.
Os nomes são fictícios, para proteger a integridade moral de quem inspirou os personagens. Na verdade, a frase anterior é mentira. Os nomes são de pessoas verdadeiras, que têm comportamento semelhante, pra não dizer idêntico, aos dos personagens. Pra ser sincero, talvez eu esteja exagerando. Mas tudo bem!
O sono já afetou minha lucidez e agora pareço estar com um gerador de lero-lero ligado em minha cabeça. Então, melhor deixar as explicações de lado e partir logo para o texto.
Sem graça
por Maxmiliano Franco Braga
Aniversário de criança. Uma festa à fantasia ao som de canções infantis. A aniversariante, uma singela bailarina, sorria a contra-gosto, sob olhares indicativos da mãe, para todos os convidados. Uma boneca de porcelana que caminhava entre os convidados. Cada um ali com sua fantasia. Piratas e princesas era o que mais se via. Havia ainda três zorros, dois batmen e um homem-aranha..
O menino Luizinho, com sua luxuosa fantasia de Bozo, sentava-se entediado à mesa com seus pais e tios. Segurando um palito de pirulito ele mexia uma empada que flutuava em seu copo de guaraná. Enquanto seus amiguinhos brincavam e dançavam ao som de músicas da Xuxa e NX-Zero, ele ficava ali, fitando o infinito. Irritado e sem achar graça em nada. Até o momento em que viu seu primo Augustinho passando o dedo no bolo e lambendo. Seus olhos brinlharam com a cena. Um pouco por inveja, um pouco por algo que nem ele sabia.
O menino Luizinho saiu da mesa seus responsáveis e se esgueirou entre adultos e outras crianças até chegar à mesa de doces. Tinha a intenção de imitar seu priminho Augustinho. Lá chegando, porém, a imagem das guloseimas feitas à mão o fizeram esquecer por completo do bolo. Todos os personagens de um circo estavam ali representados. Elefantes, leões, domadores, trapezistas, mágicos, dançarinas e, aqueles que o menino Luizinho mais admirava, palhaços.
A tristeza do menino desapareceu quando ele viu os detalhes, entalhados à mão, de cada um dos doces em forma de gente e de bicho. O menino Luizinho virou para os lados. Ainda que tivesse alguém olhando, nada o teria detido. Pegou um palhaço e comeu. Engoliu sem mastigar, tamanha a voracidade. Voltou sorrindo para a mesa dos familiares. Ao se sentar na cadeira, assustou-se quando olhou para o lado e viu a cara de sua mãe quase colada na dele. A matriarca certamente havia estranhado a repentina mudança de humor do seu pimpolho. Conhecendo o histórico de travessuras, preocupou-se em descobrir o que ele havia feito.
- O que aconteceu, Luiz Fernando Otávio Mendes Júnior? - perguntou Dona Armelinda, séria e ríspida.
- Nada, mãezinha - respondeu o menino Luizinho, sem conseguir conter os risos - hihihi!
- O que foi? Alguma coisa você aprontou e vai me dizer o que foi!
A resposta foi uma onda de risadas e gargalhada. A mãe se irritou com a crise de riso e usou uma expressão de deboche que há muito não falava e que talvez o garoto nem conhecesse:
- O que foi, moleque? Por acaso engoliu um palhacinho?
O menino Luizinho levou um susto! Parou de rir naquele instante. Sua face começou a ficar branca, depois rosada e, por fim, vermelha. Com seu olhar fitando os olhos da sua mãe, sério, ele disse: